O sol envergonhado, que mal apareceu, não impediu a gente de encher a cidade. Músicos de rua com guitarras e trompetes e microfones. Engravatados de bibicleta e muita gargalhada. E muitos copos. Sorrisos oferecidos na rua, que deve ser coisa que só turista (ou alentejano, no Alentejo) vê - vi-os hoje, várias vezes, e bem que me souberam! O jantar, esse, pronto: para comer e beber, não há como Portugal. Tenho dito. O churros com chocolate fazem parte doutra história. De resto: parques, museus, palácios, sim, mas o que me fica é a música, a alegria, a energia mais latina, mais explosiva, mais aberta, as vozes, as gargalhadas mais altas. Obrigada pela tarde, Madrid.
quinta-feira, 16 de abril de 2015
sexta-feira, 3 de abril de 2015
nem mais nem menos.
Há momentos, recordações, ideias, planos, histórias e pessoas - principalmente, especialmente, sempre as pessoas - que fazem isto tudo valer a pena. Mais, bem mais que isso: tornam isto tudo bom com'ó caraças. Assim mesmo.
quinta-feira, 26 de março de 2015
Ai, Lisboa
Tenho uma confissão, Lisboa: quase te deixei. Quase, quase. E hoje, quando acordei de novo em ti, com a tua luz, quando passei de novo pelo teu rio, quando vi de novo a tua gente, senti o teu cheiro, as tuas varandas, a tua calçada, o teu sotaque, o teu sabor... hoje, que já é tão óbvio e certo ficar, hoje parece-me ridícula a simples intenção de me ir. E hoje apreciei-te melhor, e hoje sorri-te mais, hoje valorizei-te ainda mais, porque quase, quase te perdi.
terça-feira, 17 de fevereiro de 2015
Coisinhas pequeninas.
O Neil Pasricha passou por uma fase menos agradável na vida e, para se entreter, criou um blogue: 1000awesomethings.com. E depois lançou um livro com o conteúdo do blogue. E depois começou a dar palestras sobre felicidade. Sim, o rapaz que começou o blogue, em primeira instância, por estar deprimido. Duas coisas a reter; um, fake it until you make it, que é também o meu cliché favorito, de momento, e tão verdadeiro como todos os outros clichés que conheço; dois, a importância das pequenas coisas: aquelas quase ridículas que às vezes nem notamos, ou notamos mas não valorizamos, ou valorizamos mas não lembramos. Uma lista de coisas boas é uma boa lista. E muitas vezes não é preciso mais que um pequeno sorriso para nos mudar o dia.
Conheci esta história há uns dias, entre um conjunto de TEDs que tinha para ver, e guardei-a. Havia de chegar o dia em que me apeteceria falar dela e fazer a minha própria lista de (pequenas) coisas fantásticas. Tinha que ser um dia especialmente mau, por um motivo ou outro, porque entendo pelo histórico que é essa a primeira inspiração, se a necessidade provoca inspiração. Chegou o dia, e eis a minha lista, em primeira mão. Há-de ser espontânea porque não pensei nela antes, e é por isso que há-de ser verdadeira.
• Ver o rio, todos os dias, a caminho do trabalho. O primeiro semáforo da ribeira das naus, um cigarro e a smooth fm alto e bom som. Quando está sol, sempre que está sol, tiro uma fotografia e termino os filtros no último semáforo do terreiro do paço.
• Contar a toda a gente que fui ao ginásio antes do trabalho. Vale quase tanto como, de facto, conseguir ir ao ginásio antes do trabalho.
• Abrir uma garrafa de vinho e passar a madrugada a ver séries no sofá.
• Música: há músicas que me fazem sempre sorrir. My Way. Imagine. Tantas. Principalmente quando não as espero, fazem-me sempre sorrir.
• Os abraços, qualquer abraço desejado.
• Adormecer a ler.
• Acordar de um sonho bom, voltar a adormecer, e continuar a sonhar: com o mesmo.
• Comer uma tablete de chocolate, inteira, chocolate com amêndoas. Ou colheres de sopa de Nutella. Sem culpa.
• Passar o Domingo de pijama.
• Bebés. Pegar-lhes ao colo, fazê-los rir, adormecê-los. Todos os bebés.
• Uma tarde de confidências com as amigas.
• O último check, na última tarefa do dia.
• Dançar uma noite inteira, tanto que doem os pés e mal consigo subir as escadas de casa.
• Estacionar em frente a casa, durante a semana, quando chego do trabalho. (Só entende quem mora no centro de Lisboa, sem garagem.)
• Ir ao cinema, com pipocas e snickers que duram a primeira parte inteira.
• Encontrar dinheiro em bolsos de casacos guardados.
• Quando percebem que emagreci.
• Beijos nas bochechas.
• Fazer planos. Ainda que impensáveis, irrealizáveis, fazer planos é a primeira das satisfações.
• O reconhecimento no trabalho. A palmadinha nas costas.
• Rir, rir sem motivo durante horas, rir por rir, por ver rir, por fazer rir.
• Fazer pequenos almoços enormes e ficar a comer e a conversar até à hora de almoço.
• Passear de mão dada.
• Praia de inverno. Correr na areia, de botas, com sol e frio.
• Uma tarde de cocktails numa esplanada.
• Encontrar os ferrero rocher que escondo no Natal. E comer todos.
• Conseguir arrumar a casa. E a roupa. Toda! E perceber que está tudo feito e que não poderia fazer mais nada e que portanto mereço descansar.
• Quebrar paradigmas, a mim e aos outros.
• Pintar as unhas à noite e acordar sem marcas dos lençóis.
• Coincidências.
• Filmes que fazem chorar, de tão bonitos. É quando começamos a sentir arranhar na garganta que sabemos que aquelas duas horas valeram a pena.
• Comer castanhas na Baixa no primeiro dia de frio.
• Clichés. Sim, clichés.
• Conhecer pessoas. Não à primeira, mas conhecer mesmo. Quando chega aquele momento em que, de facto, se conhece alguém.
• Conduzir, por conduzir, sem destino. Parar quando me apetece parar e ir conduzindo, por aí.
• A inspiração para escrever.
• Acordar com o sol a brilhar lá fora.
• Almoçar fora.
• O dia em que recebo o ordenado e vejo o meu saldo corrente a quatro dígitos. Normalmente é só um dia. Mas vale a pena.
• Ler o expresso sentada na Estrela, num banco de jardim, uma manhã inteira de Verão.
• Café com gelo e limão.
• Andar à chuva, quando chove tanto que só se pode desistir de evitar apanhar uma molha... e a molha nos diverte.
• Mimo. Muito mimo. Sentir-me pequenina, de tanto mimo.
• Um sábado inteiro de compras. Quando chegam os saldos.
• O Natal! O Ano Novo! O São Valentim! O meu aniversário! O Dia da Mulher! Todas as datas que possam ser comemoradas.
• Surpresas.
• Um restaurante novo.
• Sobremesas.
• Dançar no carro ao som da Cidade no final do dia.
• A areia no carro depois de um fim de semana de praia.
• O cheiro da roupa lavada.
• Poesia, da boa. Pessoa.
• Recordar, acompanhada.
• Sessões de fotografias, muitas fotografias, e chegar a casa e ver todas durante horas.
• ... ... ...
E sinto que podia continuar indefinidamente. Escrever um livro, até, talvez. E estas coisinhas pequenas, pequeninas, estes clichés, hábitos, satisfações, pequenas sortes... apenas saber que fazem parte de mim e da minha vida, apenas escrevê-las, tornou-me hoje, agora, bem mais feliz.
domingo, 9 de novembro de 2014
Bocadinhos de carinho
Uma música, um filme, um passeio, aquela ponte, aquele restaurante, uma expressão engraçada, um passeio, um carro, um livro, aquela citação, um paradigma quebrado, um vestido especial, uma cor, aquela forma de sorrir, uma piada, uma dança, uma história sem sentido, aquela vista, aquela praia, aquele vinho.
Quem passa pela nossa vida deixa um bocadinho de si e leva um bocadinho de nós. Os bocadinhos que nos deixam, depois de passar a saudade, são bocadinhos de carinho que ficam para sempre. Podemos esquecer as pessoas e os sentimentos que tivemos por elas, podemos esquecer os sonhos todos que criámos juntos, podemos já não saber a ordem e o porquê das coisas, podemos esquecer todos os momentos. Mas sorrimos sempre que ouvimos aquela música, sempre que vestimos aquele vestido, sempre que nos falam daquele livro. Chega um dia em podemos até já não saber o que faz aquela dança especial, mas sorrimos com ela. Estes bocadinhos de carinho foram-nos entregues e são nossos, sempre.
terça-feira, 19 de agosto de 2014
Os Comandos do Amor e a nossa leveza
Há uns tempos li uma reportagem sobre os "Comandos do Amor" uma organização que conta com mais de um milhão de voluntários e que actua na Índia, tendo por objectivo proteger casais apaixonados que escolhem ficar juntos contra a vontade dos pais.
Parece simples, mas não é: estes casais têm que abandonar a sua família e abrigar-se em refúgios para escapar às ameaças de morte dos próprios pais - tudo por amor. E é um processo tão, tão comum que existe uma organização e mais de um milhão de pessoas que dedicam parte da sua vida a protegê-los.
Avançando: não é sobre a cultura de castas, casamentos e educação que prevalece na Índia que me apetece divagar. É sobre o amor.
Na verdade, deste lado do Mundo, onde este nosso amor é tão livre que não parece merecer-nos nem lágrimas nem suor nem dores de cabeça, uma história destas tem o seu quê de conto-de-fadas.
Um amigo tentou convencer-me que o fruto proibido também é o mais apetecido para estes casais, e talvez por isso lutem tanto, não por amor mas por desafio - por independência, pelo marcar de uma posição. Talvez. Prefiro pensar que não, prefiro acreditar que de facto ainda existem, no mesmo Mundo que eu, pessoas que realmente amam, de verdade, que vivem e morrem por amor.
Desde lado do Mundo, onde o amor é tão leve que se torna tão insustentável, esta visão de um amor verdadeiro e pesado, intenso e perigoso, mais importante que qualquer outra coisa, oferece-nos a magia que precisamos para continuar a acreditar... no amor.
segunda-feira, 16 de junho de 2014
Uma coisa estranhíssima.
Crescer é uma "coisa" estranhíssima. Olhando para trás, tenho tanta certeza que não me revejo (no sentido de não me reconhecer, hoje, como igual ao que fui) como sei que sou o resultado disso tudo que tenho sido, de há 24 anos para cá.
Tenho uma vantagem: sempre escrevi tudo e sobre tudo e de vez em quando dá-me para reler. Reler essa paixão toda, a ansiedade, os receios, os planos, as lágrimas, os sonhos e os olhares que significavam tanto, é hoje ler uma história bonita que não parece pertencer-me verdadeiramente a mim. As cartas de amor mais antigas já não me fazem chorar nem ruborizar -
não me aceleram o coração, confortam-no com a lembrança desses amores
que me parecem hoje leves e bonitos, ainda que não saiba dizer com
clareza porque começaram ou terminaram. Os planos que tinha, a Carina que imaginava que chegaria a ser, os interesses que me consumiam, a forma como ocupava o meu tempo, aquilo e aqueles que me causavam saudade, tudo isso é hoje uma história - às vezes ridícula, às vezes linda, às vezes dramática. É a minha história e, ainda assim, ou por isso mesmo, apenas uma história.
Conforta-me saber que vivi com intensidade isso tudo que vivi. E conforta-me, ainda um pouco mais, este distanciamento que o tempo faz acontecer, mais que tudo porque é o distanciamento que acontecerá daqui a mais algum tempo em relação ao dia de hoje e de amanhã - o bom e o mau.
Sempre gostei da palavra relativizar. Tem assumido significados ligeiramente distintos à medida que o tempo passa. Hoje, o que vejo é que tempo nos permite e ensina a relativizar e a maturidade chega exactamente com o tamanho do embrulho que conseguimos relativizar. Há-de ser por isso que os mais velhos são mais sábios. E arriscam menos. A intensidade daquilo que sentimos e o risco que nos dispomos a correr por aquilo que queremos diminui à medida que a serenidade aumenta. Não será uma coisa má. É crescer, apenas.
Na verdade, o essencial fica! E também isso é estranhíssimo. A maneira como vejo o que realmente importa, aquilo que valorizo, o primeiro impulso, tudo isso continua estranhamente semelhante. Não procuro as coisas nos mesmos sítios nem da mesma forma, mas no fundo as coisas que procuro não diferem tanto assim.
E... hoje, como ontem, continuo a gostar de escrever sobre o amor, sobre o tempo, sobre clichés e sobre as pessoas. Lamechices. Estranhíssimo!
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